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Dissertação de Mestrado

ESTRATÉGIAS E TÉCNICAS DE AMOSTRAGEM PARA DETERMINAÇÃO E MODELAGEM DA DENSIDADE BÁSICA DA MADEIRA DE EUCALIPTO

Autor(a): GUSTAVO JASKE DA CONCEIÇÃO Ano: 2026 Link para o documento

Resumo

A densidade é reconhecida como um dos principais parâmetros de qualidade da madeira de Eucalyptus spp., influenciando diretamente o desempenho industrial e a eficiência dos processos de conversão. Apesar de amplamente estudada, ainda há incertezas quanto à representatividade das posições base-topo do fuste e à intensidade amostral necessária para estimar a densidade básica (DB) da madeira com robustez estatística. Este estudo avaliou a variação base–topo e otimizou pontos de amostragem ao longo do fuste para estimar a DB média da árvore, comparando dois tipos de amostras, cunhas e discos, quanto à representatividade, comportamento longitudinal e desempenho estatístico. Foram analisados 23 clones comerciais distribuídos em 15 localidades no Brasil, totalizando 390 árvores, com idades entre 5,5 e 8 anos. Cunhas e discos foram coletados em 12 posições ao longo do fuste: 0%, DAP (diâmetro à altura do peito), 12,5, 25, 33, 37,5, 50, 62,5, 66, 75, 87,5 e 100%. As análises estatísticas incluíram testes de médias (t e Dunnett), avaliações de distribuição e perfis base–topo, análise de amplitude entre e dentro de árvores, regressão múltipla via Exhaustive Search e comparação de estratégias de amostragem amplamente utilizadas no setor florestal. Foram propostos e aplicados índices de variação longitudinal, incluindo o Índice Direcional Base e Topo (IDBT), o Índice Absoluto de Variação Base e Topo (IABT), a Diferença Absoluta DAP–Média (DB), a Representatividade Percentual do DAP (DB%) e as amplitudes entre (AEA) e dentro das árvores (ADAS). Os resultados da DB evidenciaram equivalência estatística entre cunhas e discos, com diferença média de apenas 2 kg m³ entre os tipos de amostra, e um padrão base–topo semelhante, caracterizado por maior homogeneidade nas posições centrais (33% e 37,5%) e maior variabilidade nas extremidades do fuste. Modelos contendo de uma a três posições explicaram entre 88% e 99% da variação da DB, sendo observada zona de saturação estatística com a inclusão de novas alturas. As melhores posições isoladas foram 33% (cunhas) e 37,5% (discos). Embora a estratégia Tradicional (0, DAP, 25, 50, 75 e 100%) tenha apresentado os maiores R² ajustados (>98%), estratégias simplificadas com três posições mantiveram eficiência superior a 93%, indicando viabilidade de redução do esforço amostral com mínima perda de precisão. O uso isolado do DAP apresentou menor capacidade explicativa e subestimou a DB da árvore, com diferenças variando de 17 a 37 kg m³, evidenciando limitação como posição única de referência. A amplitude entre árvores confirmou elevada heterogeneidade genética, superando 100 kg m³ dentro de uma mesma classe. Conclui-se que é possível estimar a densidade média do fuste com alta precisão utilizando número reduzido de posições estrategicamente selecionadas, reduzindo custos operacionais e esforço laboratorial. Cunhas e discos podem ser utilizados de forma intercambiável, desde que adotados protocolos consistentes de coleta e preparo.